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O que você não viu: Governo passa na primeira prova de fogo na gestão da Dívida

Por: Eduardo Vanin
Nota, Macro
Publicado em: 09/01/2021 10:01

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O tesouro nacional realizou seu primeiro leilão de títulos públicos do ano e o resultado foi MUITO MELHOR QUE O ESPERADO.

Nesse primeiro leilão o Tesouro colocou o equivalente a 5.5 bilhões de reais em notas com vencimentos para 2026, 2030 e 2055. Dois pontos podem ser comemorados:

1) Ao contrário do vinha ocorrendo durante todo ano de 2020, as emissões foram longas, evitando assim novo encurtamento da dívida mobiliária federal;

2) As taxas mais longas não subiram como muitos investidores e analistas vinham alardeando. As taxas para 2030 e 2055 até recuaram, sinal de que a demanda superou a of erta de papeis.

Apesar do sucesso do primeiro leilão, ainda há muito por fazer.


DESAFIOS

O ano de 2021 será de grandes desafios para o tesouro, o qual testará seguidamente o apetite do mercado para seus papéis. Desafios:

1) Segundo dados do próprio Tesouro, em 2021 irão vencer o equivalente a 28.1% do total da dívida, algo próximo a 1.3 trilhão de reais contra 16.3% no início de 2019. Muitos irão lembrar que cenário parecido (em termos de encurtamento da dívida federal) ocorreu durante a transição para o 1o mandato do governo Lula em 2003, quando o tesouro tinha a missão de rolar mais de 1/3 da dívida mobiliária no período de um ano;

2) Outro desafio será a mudança de mecanismo de financiamento. Durante 2020, como forma de não incorrer em taxas elevadas, o Tesouro optou por utilizar das emissões de compromissadas de curto prazo, mecanismo que o BC se utiliza para emissão e transferência de ganhos contábeis de suas reservas ao Tesouro. Podemos dizer que esse é o mecanismo tupiniquim de facilitação quantitativa adotado pelos BC's lá fora. No entanto, tal mecanismo resulta em crescimento do balanço do BC e encurtamento da dívida - MERCADO ADVERTE, USE COM MODERAÇÃO.

3) Outro desafio é redução da participação do investidor estrangeiro (dinheiro novo), participação essa que não para de cair nos últimos anos, chegando a 9.5% do total, queda de 2 pontos em 2020. Na contramão temos as instituições financeiras com quase 27% e crescendo. A atração de investidores estrangeiros é muito importante, uma vez que a disputa por rendimento trará consequentemente o tão almejado alongamento da dívida, assim como também menor pressão por rendimentos mais elevados.


CENÁRIO

E o que se pode esperar para 2021? O primeiro teste foi muito positivo, mas ainda há muito pela frente. Alguns pontos podem ajudar muito o Tesouro nessa difícil tarefa:

1) Não é preciso dizer que a continuidade das reformas ajudariam muito na melhora do perfil da dívida federal, especialmente aquelas que trazem melhora nos gastos públicos e aumento da produtividade total da economia. A lista é longa e de amplo conhecimento;

2) Do lado externo há uma lista muito importante de fatores, itens que podem se combinar trazendo um cenário mais favorável ao Brasil:

  • Commodities: As matérias primas estão subindo no mercado externo (em USD), fruto da combinação de fundamentos muito sólidos. Por anos, empresas produtoras e exploradoras de commodities reduziram seus investimentos em termos de expansão da capacidade produtiva, redução que agora começa a deixar mais evidente o descompasso entre a oferta e o crescimento da demanda para algumas matérias primas. Nesse tema, as novas tecnologias limpas mostram que a demanda por metais e ligas será muito maior, aumentando assim a percepção de aperto. Outro ponto é o impacto do COVID sobre a capacidade de investimento das empresas, capacidade essa corroída pela forte piora na geração de caixa das empresas em 2020 - esse fator afetou de forma mais severa o setor de energia;
  • China: Para o Brasil, a saúde da China nunca foi tão importante, uma vez que a manutenção da tendência de alta/recuperação das commodities passa necessariamente pelo crescimento da 2a maio economia do globo e sua capacidade de gerar crescimento sobre si mesma, uma vez que a demanda externa (importações) ainda deverá patinar muito em 2021. Assim, o sucesso da implementação das novas diretrizes dos burocratas chineses trará impactos diretos sobre a sua demanda por matérias primas e por consequência sobre a atratividade dos ativos brasileiros no mercado externo - temos que lembrar que o valor das commodities em USD impacta diretamente os termos de troca, item de suma importância para a dinâmica da economia brasileira.

PONDERAÇÕES

O ano começou bem para o tesouro brasileiro, porém se considerarmos que o ano de 2021 é uma prova de 100 metros, poderíamos dizer que o tesouro se saiu bem ao não queimar a largada. Assim, ainda há muito a ser feito em termos de gestão da dívida (melhor dizendo, rolagem da mesma), gestão essa que pode receber ventos de popa muito positivos vindos de fora (China), o que facilitaria muito o trabalho do Tesouro.

No final, o que queremos e esperamos é a rolagem total dos quase 1.3 trilhões de papeis vincendos, porém o sucesso será medido através da idade média da dívida e seu custo. A torcida é grande. Começamos bem.


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